A teoria unificada

Conspiração

Imagem não me pertence.

“Os físicos vivem atrás de uma teoria unificada do Universo que explique tudo. Todo o mundo persegue a tal teoria unificada, ou unificadora, por trás de tudo. Só varia o tudo de cada um. As religiões têm suas teorias unificadas: são suas teologias. Diante de um religioso convicto você está diante de alguém invejável, alguém que tem certeza, que chegou na frente da ciência e encerrou a sua busca. A ciência e as grandes religiões monoteístas começaram na mesma diversidade – os deuses semi-humanos e convivas da Antiguidade, as deduções empíricas da ciência primitiva – e avançaram, com a mesma avidez, do complicado para o simples, do diverso para o único. Só que o monodeus da ciência ainda não mostrou a sua cara.
Na política e nos assuntos do mundo também existe a busca da explicação absoluta, da teoria do por trás de tudo. Não é exatamente a tentação do conspiratório. Teorias conspiratórias exigem trabalho, estudo, a meticulosa exegese de coincidências e fatos obscuros. A teoria unificadora não requer esforço, é justamente um pretexto para não pensar. Diante de um neomacarthista convicto você também está na presença de uma certeza admirável: por trás de tudo estão os comunistas, por que procurar mais? Outras convicções, outras teorias. Por trás de tudo está a maçonaria egípcia. Por trás de tudo estão dezessete pessoas que se reúnem todos os meses num certo hotel da Baviera e… Por trás de tudo estão sete financistas judeus. Ou três xeques árabes. Ou os Rockefeller. Ou os templários. Você sabia que os americanos sabiam do ataque ao World Trade Center? Aproveitaram o atentado para atacar o Afeganistão e assegurar o suprimento de petróleo da região, ameaçado pelo Talibã. E Bush, claro, é sócio do Bin Laden em vários empreendimentos. E…
No fundo, o que nos atrai não é a explicação unificadora. Pode ser a teoria mais fantástica, não importa. O que nos atrai é a simplicidade. O melhor de tudo é a desobrigação de pensar.”

– Este é um texto de Luis Fernando Verissimo, retirado de seu livro “O Mundo é Bárbaro – e o que nós temos a ver com isso”.

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